11 abril 2008

Isabella e o tempo

Uma insatisfação constante com o andar vagaroso das investigações sobre a morte da menina Isabella. Nem é preciso dizer que se trata da garota de cinco anos jogada da janela do 6º andar de um apartamento na zona norte de São Paulo. Nem que seu pai e madrasta foram considerados suspeitos, presos, e agora soltos pela Justiça por causa de um crime apurado pela polícia como homicídio doloso.

Os laudos são lentos, a polícia pouco avança. Informações demoram a chegar. Decisões, idem. Passos de tartaruga. Todos querem saber se as manchas de sangue são de Isabella, qual a causa da morte, os motivos de um crime bárbaro, quem a matou.

Para curar a sede de informação, a imprensa relata pílulas diárias de saciedade momentânea do desejo que cada leitor, internauta, ouvinte e telespectador cultiva horas a fio, em frente ao seu meio de comunicação preferido, à espera de uma resposta. Da verdade.

A sede de informação caminha à velocidade da luz. O jornalismo desenfreado a alimenta. A cada repercussão, a cada entrevista. E, principalmente, a cada tentativa de desvendar, a passos próprios, o caso.

Reportagem da Folha de S.Paulo de quinta-feira (10/4) aponta a possibilidade de o prédio dos Nardoni ter sido invadido pelos fundos. No dia do crime, um sobrado foi encontrado com portão e cadeado arrombados. O muro do prédio é alto, cerca de quatro metros, mas seria possível escalá-lo por fora, segundo a reportagem, de uma pequena construção de dentro do sobrado.

Apenas um pequeno apetizer do que a imprensa já tentou investigar por conta própria. Neste caso, o repórter, amigo desta blogueira por sinal, não se perguntou apenas uma coisa: seria possível um assassino calcular tal manobra? Com que motivação? E mais, como ele sairia pelo mesmo lugar? (De dentro para fora não há apoio - o assassino seria um homem-aranha, como avaliou o promotor do caso?)

A polícia lenta abre brecha para esse tipo de inconseqüência. Onde já se viu demorar mais de 10 dias investigando um crime e não apontar nenhum responsável? E o IML? O IC? Não tiveram tempo mais do que o suficiente para fazer simples e caseiros exame de perícia e de DNA?

A população clama por verdade, mas não sabe esperar. A imprensa rende-se e faz as vezes de população. Abandona seu verdadeiro objetivo, o interesse público, para manobrar o interesse do público. Pior, em nome dele.

Quem tem pressa come cru. Não era o que a sua mãe dizia?

Nesta tarde, o desembargador Canguçu de Almeida, do TJ-SP, concedeu habeas corpus ao casal. Ainda não há nenhuma prova de que eles podem atrapalhar as investigações, disse ele. Sem entrar no mérito, a decisão refletiu a única voz de paciência e ponderação durante todos esses dias em que se falou de Isabella.

Isabella. Esta sim tem toda a eternidade para esperar pela justiça. Não podemos nós?

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