27 janeiro 2011

Edemar: falência, arte e espera

Um ex-banqueiro condenado, preso por duas vezes, acusado de aplicar o dinheiro obtido por lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e desvio de recursos na compra de obras de arte. Edemar Cid Ferreira foi despejado da casa onde morava no Morumbi, na capital paulista, no último dia 20 de janeiro, mas o destino dos valores do falido Banco Santos e das obras que colecionava ainda é incerto.

O valor da dívida aos credores ultrapassa os R$ 2,7 bilhões. Para o montante em jogo, até que a ação anda correndo bem rápido. Mas ainda restam alguns anos até que se saiba o final desta história.

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26 janeiro 2011

A 'Cequeização' do Jornalismo

Muitos se perguntarão o que faço eu, hoje, escrevendo sobre jornalismo em um blog sobre direito. Respondo. A linha que o divide de todas as demais carreiras é tênue. Todos nós estamos fadados a precisar do direito se: agirmos sob a lei, trabalharmos com a lei e, sobretudo, se nos tornarmos fora da lei.

A minoria dos jornalistas sabe disso. Trabalham inconsequentemente espalhando inverdades aos montes por aí. Sequer pensando que, um dia, podem ser alvo de uma ação ou até irem parar na cadeia. Parece brincadeira, certo? Mas, infelizmente, não é.

Primeiro, o jornalismo. Muito comumente nos deparamos com chamadas escandalosas sobre os assuntos mais variados. Pois bem, esse fenômeno vem sido enriquecido ultimamente de uma forma preocupante. Agora, não importa mais se o Copom aumentou os juros, mas sim, se alguém derrubou um papel amassado durante a reunião. Ou se o governador renunciou, se a presidenta sofreu um impeachment, se, amanhã, todos os impostos irão aumentar. Alguém pagou mico, chorou, foi com a maquiagem errada? Essa é a notícia.

Pois saibam, fontes, que esse fenômeno vem irritando não somente vocês, como os profissionais que lhes dedicam o respeito merecido: a vocês e aos fatos. Não aguentamos mais ver o pedantismo tomar o lugar do jornalismo esclarecido. Jornalista não deve se achar melhor do que o fato que noticia: lição básica do Jornalismo 1, ano 1.

Eu poderia falar que a falta de diploma permite esse tipo de escapismo. Mentira. Tive excelentes professores de reportagem que nunca adentraram uma sala de aula desse curso. Mas não se recusaram a aprender na marra. Eu, em minha humilde visão, acredito que lugar de errar é no ensino superior, assim como médico aprende a usar o bisturi no cadáver, e não em um ser vivo. Há muitos, porém, que derrubam o argumento facilmente guardando o diploma na gaveta assim que adentram uma redação.

Segundo. Agora aparentemente virou moda usar redes sociais para virar crítico do mundo. Eu mesma, aqui e ali, refuto uma reportagem pelo Twitter. Liberdade de expressão, ego inflado? Correto. Questionável muitas vezes, mas não proibido. Recentemente, entretanto, fui apresentada a um endereço que se destina a difamar a profissão de redator. Aqui o direito entra novamente na discussão: qualquer forma de constrangimento no trabalho pode ser considerada assédio moral. Não excluída a internet.

Assédio não é só de chefe para subalterno. É também de subalterno para chefe e de subalterno para subalterno. Este perfil específico certamente é feito sob a pior das formas de assédio: por alguém cujo objetivo é caçoar dos colegas inferiores na hierarquia da própria redação. Reprovável, no mínimo. E proibido. Fazem da mais traiçoeira das formas, escrevendo sobre o que ocorre no local onde trabalham, sobre relações corriqueiras e outras confidenciais, que sequer deveriam ser mencionadas, quanto mais em uma página pública. O dono dela concorre seriamente a entrar no grupo dos jornalistas fora da lei. Se puder ser considerado jornalista. Dá cadeia.

Tudo isso graças a um fenômeno que, no futuro, acredito que será chamado de “Cequeização do Jornalismo” -em homenagem ao programa que parece ter fundado uma nova ordem na maneira de agir com as fontes. Uma espécie de vale-tudo em que se denigrem os entrevistados em nome da malfadada audiência e onde o conteúdo é sepultado em detrimento da jocosidade. Procedimento que virou justificativa para empregar uma colher de mau-caratismo contra quem produz a notícia: falta de critério contestada, agora, virou perseguição.

Quero crer que esse tipo de “jornalismo”, assim mesmo, entre aspas, não se reflita também no comportamento dos colegas, fazendo parecer ser permitido utilizar uma página para constranger quem se digna a batalhar pela notícia verdadeira (isso, no mundo ideal, deveria ser pleonasmo). É decepcionante dar início a um novo ano neste blog com uma conclusão desta, mas inevitável começar bem sem ela.

Façam aí seus primeiros juízos de 2011. E continuem acompanhando Lupa na Lei, nos próximos posts, de volta ao que faz este blog: jornalismo e direito.