30 abril 2008

Não disse?

Ciúme, como adiantou Lupa na Lei, era o motivo torpe no assassinato da menina Isabella Nardoni, atirada do 6º andar do edifício London, em São Paulo, onde morava com o pai, Alexandre. Ele e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, serão denunciados.

25 abril 2008

:-O

Se, quase sempre, não me surpreendo mais com o noticiário (jornalistas perdem, não deveriam, mas perdem parte da sensibilidade de tanto lidar com notícias - paralelo com a medicina e a anatomia), felizmente, o quase sempre continua válido.

A prisão do advogado Ricardo Tosto pode não ter despertado grande atenção, ofuscado por outros casos maiores (entenda Isabella), mas a essa jornalista causou reação há algum tempo não experimentada.

É, essa carinha do título do post. Susto.

Ninguém sabe muito bem porque Tosto, que entre seus clientes tem o deputado federal Paulo Maluf, foi preso. Contam as más línguas (acordei com sede de clichês hoje) que ele chorou na sede da Polícia Federal.

Sem pré-julgamentos, vale um questionamento (rimou!): Quando eu for presa pela PF, vou saber o motivo antes de me carregarem algemada em frente às câmeras? Hope so.

Leia a notícia toda aqui

21 abril 2008

Overdose

Cabeça embaralhada, vidros embaçados. Um relaxamento eufórico, euforia relaxante, confiança em excesso. Alucinações, agitação, confusão. Movimentos bruscos transformados em uma dança flamejante pela mente.

É claro que, se você está lendo este blog, não morreu de overdose. Será?

Pois este recado se estende a todos aqueles frustrados com uma cobertura superespetacularsensacionalistaextremada do caso Isabella.

Se a comparação com a cadeia da droga é válida, somos dealers muito mal remunerados, a fornecer um produto muito mal fabricado. Digo nós, repórteres, quase rebaixados a aviõezinhos.

Já nossos chefes do tráfico continuam a abastar a clientela e os próprios bolsos. Vontade que fosse um tiro na testa.

Overdose de informação.

Luto.

Deles? Só os com consciência. Meu? Um pouco. Seu? Óbvio.

11 abril 2008

Isabella e o tempo

Uma insatisfação constante com o andar vagaroso das investigações sobre a morte da menina Isabella. Nem é preciso dizer que se trata da garota de cinco anos jogada da janela do 6º andar de um apartamento na zona norte de São Paulo. Nem que seu pai e madrasta foram considerados suspeitos, presos, e agora soltos pela Justiça por causa de um crime apurado pela polícia como homicídio doloso.

Os laudos são lentos, a polícia pouco avança. Informações demoram a chegar. Decisões, idem. Passos de tartaruga. Todos querem saber se as manchas de sangue são de Isabella, qual a causa da morte, os motivos de um crime bárbaro, quem a matou.

Para curar a sede de informação, a imprensa relata pílulas diárias de saciedade momentânea do desejo que cada leitor, internauta, ouvinte e telespectador cultiva horas a fio, em frente ao seu meio de comunicação preferido, à espera de uma resposta. Da verdade.

A sede de informação caminha à velocidade da luz. O jornalismo desenfreado a alimenta. A cada repercussão, a cada entrevista. E, principalmente, a cada tentativa de desvendar, a passos próprios, o caso.

Reportagem da Folha de S.Paulo de quinta-feira (10/4) aponta a possibilidade de o prédio dos Nardoni ter sido invadido pelos fundos. No dia do crime, um sobrado foi encontrado com portão e cadeado arrombados. O muro do prédio é alto, cerca de quatro metros, mas seria possível escalá-lo por fora, segundo a reportagem, de uma pequena construção de dentro do sobrado.

Apenas um pequeno apetizer do que a imprensa já tentou investigar por conta própria. Neste caso, o repórter, amigo desta blogueira por sinal, não se perguntou apenas uma coisa: seria possível um assassino calcular tal manobra? Com que motivação? E mais, como ele sairia pelo mesmo lugar? (De dentro para fora não há apoio - o assassino seria um homem-aranha, como avaliou o promotor do caso?)

A polícia lenta abre brecha para esse tipo de inconseqüência. Onde já se viu demorar mais de 10 dias investigando um crime e não apontar nenhum responsável? E o IML? O IC? Não tiveram tempo mais do que o suficiente para fazer simples e caseiros exame de perícia e de DNA?

A população clama por verdade, mas não sabe esperar. A imprensa rende-se e faz as vezes de população. Abandona seu verdadeiro objetivo, o interesse público, para manobrar o interesse do público. Pior, em nome dele.

Quem tem pressa come cru. Não era o que a sua mãe dizia?

Nesta tarde, o desembargador Canguçu de Almeida, do TJ-SP, concedeu habeas corpus ao casal. Ainda não há nenhuma prova de que eles podem atrapalhar as investigações, disse ele. Sem entrar no mérito, a decisão refletiu a única voz de paciência e ponderação durante todos esses dias em que se falou de Isabella.

Isabella. Esta sim tem toda a eternidade para esperar pela justiça. Não podemos nós?

10 abril 2008

Isabella - Verdade está próxima

Um ofício deve ser enviado ao desembargador Canguçu de Almeida nesta quinta-feira (10/4) para que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá não sejam soltos. Eles são o pai e a madrasta da menina Isabella, de 5 anos, que foi jogada do 6º andar de um prédio na capital paulista.

Lupa na Lei apurou que a Promotoria e a polícia já têm indícios suficientes para concluir que o estrangulamento pode ser atribuído à madrasta, enquanto o pai teria atirado a menina, com o intuito de simular a participação de um terceiro.

Para quem não crê em uma crueldade tamanha, o melhor texto disponível hoje sobre o caso é de Contardo Calligaris, na Folha de S.Paulo. A mente humana, ninguém explica.

Mais detalhes, aguardem em Lupa na Lei

09 abril 2008

OFF - Caso Isabella

Lupa na Lei apurou que a polícia e o Ministério Público já têm quase certeza de que não há terceiros suspeitos do crime contra a menina Isabella, que foi jogada do 6º andar de um apartamento na capital paulista.

Os advogados que tratem de bolar uma ótima defesa para seus clientes. A não ser que os laudos do Instituto de Criminalística e do IML tragam resultados muito diferentes do esperado. Por exemplo, se a marca de sapato não bater com nenhum dos apreendidos no apartamento do casal.

De outro lado, a Justiça deve determinar a soltura do pai e da madrasta ainda nesta quinta ou, no mais tardar, na sexta. Até agora, ninguém tem idéia se foram ambos, se foi só o pai, ou se foi a madrasta.

Os fatos. Ninguém mais esteve no prédio. A menina foi esganada e sofreu um trauma na cabeça antes de ser jogada. Um crime cruel, covarde, contra uma criança. Tudo isso é agravante. Homicídio triplamente qualificado na certa.

Aguardemos.

07 abril 2008

Dia do jornalismo, Isabella e feeling

Em um dia em que o Pulitzer não saiu para a categoria editorial, resolvo me arriscar a escrever algumas linhas opinativas. Sem antes passar uma tarde inteira, como qualquer libriana próxima do chamado perfil astrológico, colhendo opiniões até do porteiro sobre os casos que mais repercutiram nos últimos tempos.

Porteiro. Palavra-chave do último caso da vez da mídia, o da menina Isabella, que comecei a acompanhar na sexta. E, desta vez, a história é tão grande que a Justiça nem precisou abrir processo para darmos início à cobertura. É tanto alvoroço que ninguém parou para pensar em nenhum tipo de conseqüência. Será?

Na sexta mesmo, 50 jornalistas se engalfinhavam por um espaço no Ministério Público em busca de uma declaração nova do promotor do caso. Acabaram publicando o que o Estadão já trazia na capa daquele dia, os depoimentos "fantasiosos" dos suspeitos.

Pois bem. Em pleno dia do jornalismo, uma reviravolta. Pelo visto, o sangue supostamente encontrado no carro do casal não era sangue. As roupas apreendidas supostamente não eram roupas do pai de Isabella. O suposto sangue na porta do apartamento também não seria sangue.

Feitiço vira contra o feiticeiro? Será que tanto alarde vai culminar na libertação do pai e da madrasta por falta de indícios contundentes que os incriminem?

Aí entra o chamado feeling do jornalista. Ninguém escreve apenas sobre fatos. Nenhum jornalista colhe informações puras, dados isolados, provas cabais. Este é o trabalho de advogados, peritos e policiais. Salvo raras exceções, como o é o caso da Escola Base, repórteres colhem histórias, olhares, opiniões e, principalmente, off.

São os colecionadores de off os que mais se destacam. Qualquer um pode assistir a um jogo entre Palmeiras e Corinthians e reportar o resultado de 0x0, com duas bolas na trave perigosas e 4 faltas para cada lado. O bom repórter vai trazer o outro olhar, o olhar curioso, desafiador e crítico. Até mesmo de uma partida simples de futebol.

Alguns desses colecionadores cobrem o caso Isabella. Alguns deles já cometeram enganos no passado. Já condenaram inocentes. Já ouviram falar do Bar Bodega e de manchetes como "Assassinos são soltos"?.

São tantas as suposições sobre o que teria acontecido com a menina que as críticas começaram a recair sobre a imprensa. Em parte, injustas. Ao menos, desta vez, a maioria dos veículos teme usar a palavra "acusado" para definir um "suspeito", apenas para dar um exemplo da cautela.

Até agora, apenas dois comportamentos a reparar na cobertura da mídia em geral. Record e Rede TV!. Sensacionalismo sem limites, exploração da imagem de crianças chorando, apresentadores clamando pela manutenção da prisão. Irresponsabilidade.

Por outro lado, o que se vê é um excesso de zelo em divulgar apenas o fato. O balanço geral (não o programa, pelamordedeus) é positivo. A imprensa não é tão ingênua o quanto parece. Ou aprendeu com os dias ajoelhada no milho.

06 abril 2008

Frutos

A coisa mais legal de ser jornalista é dar um furo. Só você pegou aquela informação e transformou em notícia. E, depois, todo mundo corre atrás.

Neste sábado e domingo, Folha e Estado de S.Paulo publicam história que contamos ontem em primeira mão: "Ciúme pode ser palavra-chave na morte da menina Isabella".

04 abril 2008

Quem matou Isabella?

O ciúme pode ser a palavra-chave para desvendar a morte da menina que caiu, ou foi jogada, do 6º andar de um prédio na zona norte de São Paulo. O pai e a madrasta são considerados suspeitos pela polícia e pelo Ministério Público.

O promotor do caso, Francisco José Taddei Cembranelli, adiantou com exclusividade a esta repórter que essa palavrinha, que pode dizer muita coisa, foi mencionada inúmeras vezes no inquérito. E pode constar ainda em boletins de ocorrência anexados à peça.

De quem? Da madrasta pela ex-mulher? Ou da criança, que parecia ser adorada pelo pai? Bom, como o caso está sob sigilo e ninguém quer fazer juízo de valor, resta aguardar o desenrolar da história. E o resultado dos laudos, que prometem ser decisivos.

Veja a matéria completa aqui

01 abril 2008

E merd...?

Um juiz de São Paulo liberou o uso da palavra "bosta" como adjetivo aceitável para qualificar tudo aquilo que consideramos "mal-feito, de má qualidade".

Então, a partir de agora, tudo o que desagradar este blog obedecerá ao bom senso deste magistrado.

Leia a notícia aqui